quarta-feira, 31 de março de 2010

Doce dia, doce vida




Obridaga a todos meus amigos queridos por participarem da minha vida e contribuirem para o que eu sou hoje. Adoro o termo mais madura, porque é assim mesmo que me sinto. Velha, jamais!!!




Foi uma comemoração especial porque marca o inicio de uma nova etapa e fiz questão de estar com minha amada amiga, e se a montanha não pode ir a Maomé, vamos todos até lá, mmm, acho que era o contrário :)


Love,
Marie

terça-feira, 30 de março de 2010

Cabrito bom é o que mais berra!

Como já dizia a música de Edu Lobo: "cabrito bom é o que mais berra!" e isso vale para navegar no sistema burocrático de saúde e educação de qualquer País.

Ter um filho cujas necessidades vão muito além do que qualquer família pode prover sozinha, tanto por uma limitação financeira quanto por uma limitação logistíca em que o aprendizado tem que acontecer inserido num grupo porque esta é a dificuldade a ser trabalhada, nos força a lidar com o "sistema" que eu vim a descobrir ser um "ser indeterminado"que vive dentro de todos que trabalham para ele. Este "tal" sistema será responsável por todo marasmo e falta de entendimento que nós familiares iremos enfrentar.

Eu tive algum sucesso navegando o sistema, eu tive que traçar uma linha clara na diferença entre reclamar e brigar, tentando sempre ficar no primeiro parâmetro, reclamar, porém sem brigar (quando possível).

Minha primeira experiência com o "sistema" (leia aqui um mix de burocracia, má vontade, descrédito geral em relação às pessoas com deficiências, principalmente as no espectro autista, e inércia) foi com a APAE de Jundiaí. A instituíção é de utilidade pública, mas não é um serviço púclico, para ser de utilidade pública ela tem que se encaixar em requisitos e isso inclui uma certificação de ISO. O diagnóstico tem que ser avaliado e fechado em 1 mês, este é o prazo estipulado por LEI, mas o "sistema" não é assim na prática, porque há fila de espera para as avaliações. Determinada a ter o "sistema" como meu aliado e não uma pedra no meu caminnho no esgotamento do mês, ou seja, com 1 mês e 1 dia fui ao Conselho Tutelar "pedir ajuda" pois a prontidão do diagnóstico é de suma importância para a criança em questão. O Conselho Tutelar pediu urgência à APAE mas não estipulou prazo, por isso quando levei o pedido à APAE fui informada que a requisição do Conselho Tutelar já estava sendo cumprida pois eles não tinham estipulado um prazo, acredito que este desdém ao pedido do Conselho Tutelar foi um ato de intimidação que por experiência eu não me curvei e avisei que iria voltar ao Conselho Tutelar e passar o recado e pedir que eles fizessem outra solicitação de urgência à APAE sendo mais específica. Isto era uma quinta-feira à tarde, na sexta pela manhã fui informada pela APAE que o diagnóstico seria enttregue na segunda-feira.

Diagnóstico em mãos, mas a caminhada pelo respeito ainda está só no ponto de partida. O Pedro agora está em outra fila de espera gerada pelo "sistema" para o atendimento que eles chamam de ambulatorial que seria meia hora por semana nas especializações que ele classificou que são psicomotricidade, psicopedagoga, fono e psicóloga. Até então só a psicóloga tem horário e a primeira sessão foi de chorar porque simplesmente não houve. Com isso, minha pressa em atendimento desacelerou.

Já na escola, bons ventos sopram por lá. Fiz minha presença condicional no inicio do ano letivo, eu sei que isso gera algum desconforto para a escola, mas me faço de louca e sigo lá.
Mesmo com todo o coro de que lugar de mãe não é na escola e que a proessora daria conta, entrei e fiquei em sala auxiliando o Pedro, passado 1 mês a representante da secretaria municipal de educação deu o ar "da graça" e a diretora reforçou a necessidade de uma auxiliar para o Pedro. Tudo ficava bloqueado pelo "sistema", todo o discurso foi feito para que eu entendesse que ficando em sala de aula estaria prejudicando o Pedro e o discurso era embassado nos olhares de que eu sou uma mãe superprotetora. Expliquei que a minha presença em sala era para beneficiar as outras crianças uma vez que o comportamento do Pedro poderia desandar o ritmo da sala e isso não era justo com as outras crianças, porém o lugar do Pedro é na sala regular porque assim prevê a Lei.

Lógico que o inimigo público número 1 foi trazido à tona várias vezes, o tal "sistema"como se esse sistema não fosse estabelecido e administrado por pessoas (algumas ali presentes).

Convidei-as a participar comigo de um ato cívico não deixando o sistema ficar no caminho da educação de direito do Pedro. Juntas, fariamos o sistema andar, fariamos do sistema o aliado do Pedro na educação e inclusão. Provaríamos ao sistema que a inclusão é sim possível e que o Pedro seria um caso de sucesso que poderia servir de impulsionador para tantas outras crianças que tivessem que entrar/enfrentar o "sistema".

No término desse discurso de cidadania a autorização para a contratação de uma auxiliar para o Pedro etava dada e o inicio foi imediato.

Achei ótima a contratação da auxiliar que inclusive a escola se preocupou em contratar alguém bem competente, mas inclusão não é só isso, se pararmos por aqui vira exclusão.

Perguntei quem direcionaria o plano de inclusão do Pedro e me vi frente a caras de pânico. Isso, minhas lindas, esta mãe aqui quer mais, eu quero uma inclusão de verdade e ninguém vai se ver livre de mim. Quanado o clima estava de "veja bem" entre a secretaria de educação e a coordenadora de inclusão ofereci minha ajuda para elaborar o plano com objetivos bem definidos. Para dar fim à saia justa elas concordaram.

A primeira semana com a auxiliar não foi a mais confortável, ela é professora também e é como ter dois caçiques numa mesma tribo pequena. Foi-lhe passado que ela seria a responsável pelo aprendizado do Pedro e que o Pedro seria aluno exclusivo dela.Tudo errado!!!! Mas, com jeitinho fui desfazendo a confusão. No término da semana já estávamos todos mais a vontade, pois é, eu sigo diariamente na escola, dando apoio, e estamos formando um clima de equipe na educação do Pedro. Expliquei q o sucesso da inclusão depende de todos nós e se falhar, todos teremos uma parcela de responsabilidade.

Já foi solicitado pela direção da escola que eu não permanecesse mais lá, e eu sigo me fazendo de louca, sorrio e sento num cantinho, agora fora da sala de aula. Parte da secretaria já se acostumou com a idéia e percebeu que eu venho somar, outra parte ainda sente-se incomodada com minha presença, mas meus sorrisos vão à todas :)

Aos poquinhos vamos colocando em prática estratégias para classe toda que beneficiam o Pedro como a rotina com figuras que é interativa e uma árvore que representa a cultura de solidariedade na classe.

Marie

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia a dia na inclusão

Eu tive que pensar e repensar se era produtivo escrever esta nossa experiência aqui no Blog, com certeza tenho amigas que me sinto mais do que impulsionada a relatar o nosso dia a dia na inclusão.

Para os dois meninos a adaptação não tem sido fácil, mas tem sido dentro do esperado, estamos vivendo em outro idioma, em outro clima, em outro ritmo e principalmente numa cultura diferente da que estávamos acostumados nos quase 5 anos passados.

A aceitação em relação ao autismo dos meninos é bem inconstante. Pessoas que estão ligadas à área de educação tem as reações tão variadas quanto dois autistas podem ter :)

A professora do Pedro é um exemplo positivo e eu não me canso de dizer que ganhamos numa loteria por ela ser a professora do Pedro logo neste primeiro ano. Ela é amável, firme, de princípios e acreidita no Pedro. o respeito que ela tem pelo ser humano transborda para as crianças que ela leciona e com isso, contagiadas pelo espírito aberto da professora o Pedro tem uma aceitação encantadora dentro da sala de aula dele.

Mas, como nas nossas vidas há sempre um MAS, algumas crianças do segundo ano caçoam e até xingam o Pedro quando ele passa (e eu sempre ao lado dele, ou seja, o desrespeito delas transborda até em mim). O segundo ano foi avisado de uma forma pouco didática que o Pedro tinha deficiências e a partir desse dia 7 meninos daquela sala resolveram ter o Pedro como alvo. Graças à dificuldade de linguagem do Pedro ele não entende mas eu acredito que ele sinta a hostilidade. De qualquer forma, há um outro grupo nessa mesma classe que nos brinda com sorrisos e vários "hello!", crianças que provavelmente tem o coração puro e nem entenderam o rótulo que foi passado.

Eu foco minha mente nos sorrisos e me faço de surda para os arruaceiros ...

Também passamos por dificuldades com os adultos e principalmente em encontrar atividades extra-curriculares para o Pedro, se ele tem autismo não pode fazer natação, tem que fazer hidroterapia, se ele quiser fazer aula de música, tem que ser musicoterapia; se ele quiser fazer arte, será arteterapia.

Já o Luís enfrenta a dificuldade cultural e eu concordo com ele, as crianças brasileiras precisam de um freio e não há um adulto atento ou com vontade de colocar a energia necessária para moldar nessas crianças cidadãos. Os que se aproximam vêem para usar (e algumas vezes quebrar) os brinquedos em casa e então já comecei minha campanha por um mundo melhor que se inicia com "Aqui nesta casa há regras! E se você quiser voltar aqui terá que obedecê-las".

Na escola eu pude presenciar um mesquinharia à toa, Luís comprimentou um colega pelo seu desenho e a reação do menino foi colocar o braço em cima do desenho para o Luís não ver. O que será que passa na cabeça dessa criança? A mãe que estava ao lado assistiu a cena e simplismente fez que não era com ela ... sinceramente .... quem vai ensinar estas crianças a serem bons amigos, a serem bons colegas?

A grande vantagem da nossa vinda são os laços de família, o encanto do Luís por ter primos e os primos serem super receptivos à ele, até quando ele está sendo pentelho, a conexão com os avós, tio e tias.
Os adultos de forma geral adoram o Luís, e ele desenvolveu uma paixão especial pela Sônia (que ele chama de Zônia por causa do sotaque), se ele ouve o nome dela ele ja pergunta "Can I go there?"

Para o Pedro o fim do inverno tem sido divino apesar do calor excessivo algumas vezes irritá-lo. Ele adora a "pegação" latina e as mulheres (de qualquer idade) se derretem pelos seus olhos.

Nós conseguimos algumas coisas em tempo record por aqui, mas isso fica para outro dia :)

Marie

domingo, 21 de março de 2010

Sweet cousin

This is Joana, André's sister's daughter, we felt in love for her and Luís was trying hard using his few words in portuguese, I am so proud of him!

Justice League







Drawing


Drinking



Pedro was sharing his water with Fígaro and I had to run o get the kitten her own water.